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Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

31
Jan12

Do you speak english?

ana
Neste momento, aprender inglês tornou-se uma tarefa prioritária e quase obrigatória. Os planos, para um futuro próximo, assim o obrigam, porque se quero vingar e ter sucesso lá fora tenho de dominar a língua universal.
E agora vocês dizem Ai Filipa 'tás-te a passar, em que mundo vives tu? Alguma coisa de inglês hás-de saber. Não aprendeste na escola? Não vês filmes? Não ouves musicas? For God's sake!
Pois eu digo-vos, que para mim inglês, tem alturas em que é quase chinês! Sou menina que fala francês sem grandes dificuldades, foi francês que iniciei como língua estrangeira logo no 5º ano, foi a língua que dominei sem grandes dificuldades. Com o inglês é outra conversa, alias não é conversa nenhuma, que eu mal passo do Hello, how are you?. Aprendi, ou tentei aprender, as bases no 7º ano, mas o francês já estava tão enraizado em mim, que foi difícil interiorizar o básico daquela língua. Tive inglês até ao 12º ano, francês também. Mantenho uma conversa, quase sem dificuldades em francês (e agora a coisa até está bastante enferrujada), mas em inglês não consigo. Falta-me vocabulário, esqueço-me dos verbos, esqueço-me da construção frásica, esqueço-me de tudo, começo logo a transpirar e a percorrer todos os cantinhos do meu cérebro em busca das palavras necessárias, que eu até sei, mas que nunca estão prontas a sair para construírem uma frase minimamente coerente. É uma catástrofe.
Sinto que preciso de praticar. Afinal as línguas aprendem-se falando, pondo em prática. O meu primo, que fala português e inglês na perfeição, porque são ambas línguas maternas, farta-se de gozar comigo. Do alto dos seus seis anos, olha para mim com ar de gozo mal começo uma frase em Inglês. Da última vez que estivemos juntos, obrigou-me a contar-lhe a história da Batalha de Aljubarrota* em Inglês. Ria como um perdido e cada vez que eu abria a boca dizia-me it makes no sense. Reconstruia a frase e obrigava-me a repetir, como se de um verdadeiro professor se tratasse.
Hoje, como não tinha nada para fazer, andei pela net a fazer exercícios de inglês, daqueles em que ouvimos um texto e depois repetimos. Comecei pelo nível inicial e achei demasiado básico, afinal sempre sei qualquer coisinha. Subi um nível e continuei a achar fácil. Concluí que não tenho problemas de compreensão, mas sim de escrita e gramática, ah e alguma falta de vocabulário também. Amanhã vou procurar os meus manuais de inglês da escola. Vou dedicar-me à gramática, ao past simplepast continuous e past perfect.
Estudar inglês vai ser a minha tarefa de férias. Relembrar o que já esqueci e aprender o que nunca soube. Não tenho dinheiro para cursos, por isso vou ser a professora de mim própria. Ainda tenho alguns meses para praticar e ainda tenho um Verão inteiro para absorver os ensinamentos do meu primo, por isso estou confiante.
Hei-de pisar terras da rainha a falar a língua dela, ou pelo menos a conseguir dizer mais do que aquilo que consigo agora. Depois, lá aprenderei o resto, incluindo aquela pronuncia linda de morrer!

*Sim, o meu primo sabe a história da Batalha de Aljubarrota melhor que alguns colegas da minha turma. Só tem 6 anos e vive na Irlanda. Adora cavalos e cavaleiros e tudo o que é Medieval. Sabe a história de Portugal desde a sua fundação até aos descobrimentos. É o meu orgulho. Diz que quando crescer quer ser bombeiro ou astronauta, mas eu vejo-lhe um futuro brilhante na história ou na arqueologia.
29
Jan12

...

ana
Chorei todas as noites durante três meses consecutivos. Pus muita vez em causa a minha capacidade de me adaptar às mudanças que estavam a acontecer. Pensei, muitas vezes, em deixar tudo, desistir e vir embora. Limpei muitas lágrimas do meu rosto enquanto, todas as semanas, fazia aquela viagem que odiava. A viagem que me levava para longe de ti. Lembro-me, de no dia do meu aniversário, ter de deixar a minha própria festa, agarrar nas malas e despedir-me da família com um enorme nó na garganta. As lágrimas escorreram-me pela cara sem parar, descontroladas, mal entrei no expresso.
Nunca chorei em frente aos meus pais, tentei sempre não chorar junto a ti. A culpa era minha. O meu sofrimento era causado por uma escolha minha. Aguentei. Contrariei a minha vontade de desistir, sobrevivi meses com um nó na garganta, convenci-me de que aquela tinha sido a opção mais acertada. Estudar, investir no meu futuro e na minha carreira, só podia estar certo.
Ainda hoje não sei se o foi a coisa mais acertada. Não sei se tanto sofrimento valeu a pena. Duvido, que alguma vez fale desta minha experiência, com o entusiasmo que todos esperam de alguém que foi estudar para uma grande cidade, longe dos pais, longe da aldeia pequena e castradora. Mas, esta não foi a grande experiência da minha vida, não o foi no sentido que deveria ter sido. Esta foi uma experiência importante. Fez-me descobrir os meus limites, a minha coragem e a minha força. Sou mais do que imaginava. Aguentei o que nunca pensei aguentar. Superei-me em tudo. Também me desiludi. 
Viver o que vivi fez-me crescer imenso. Mudei, mudei tanto. Em certos momentos não me reconheci. No entanto, hoje sei que sou melhor. 
E depois nós. Gerir toda a mudança, ser perseverante, ultrapassar os nossos limites. Foi difícil. Tantas vezes nos faltaram as forças, tantas vezes entrámos em negação, quantas vezes tivemos de parar, pensar e ganhar força para não desistir. Para além de amarmos, sempre, foi preciso usarmos a razão. Perceber o que estava mal e o que tinha ser melhorado. Criar rotinas e desconstruí-las sempre que necessário. Fomos sempre realistas, sabemos que nestes três anos perdemos muito, que quando tudo isto acabar temos muito para recuperar. Fomos sempre incrivelmente fortes e persistentes. Nunca desistir é o nosso mantra.
Tenho consciência que, apesar de tudo, isto nos fez bem. Sei que estamos mais preparadas para muito do que ainda está para vir. Tenho também a certeza que pertencemos uma à outra. Se acreditasse nisso das almas gémeas e da predestinação, não teria duvidas em afirmar que tu és a minha. Nós fomos feitas uma para a outra, não consigo duvidar disso.
Agora, que estou no fim deste percurso, sinto-me feliz. Estou feliz porque este sofrimento vai acabar, porque vou voltar para perto de ti, porque a oportunidade de construirmos um futuro nosso está mais próxima.
Sinto-me cada vez mais próxima do meu maior desejo. Do desejo que criei logo no primeiro dia, naquele dia  em que entrei no carro a chorar, com a certeza que a minha vida, a nossa vida, ia mudar por completo. Estou a poucos meses de me aproximar de ti, pegar-te nas mãos, olhar-te nos olhos e dizer que tudo isto chegou ao fim. 
27
Jan12

...

ana
Comecei a escrever um texto, mas como senti que se assemelhava demasiado ao discurso de alguém com oitenta anos, decidi apagar. Eram queixas do inicio ao fim. Ai que me doí a coluna, ai que também me doem os braços, ai que a anca estala, ai ai ai! 
Sou uma fraquinha, não aguento uma época de exames. Fico logo toda queixosa, cheia de doenças e dores. E a cabecinha? A cabeça essa, já entrou em curto-circuito, já tem os fusíveis todos queimados. Não digo coisa com coisa [este texto serve como prova], esqueço-me de tudo e, por vezes, não consigo levar um raciocínio até ao fim [esta frase serve como prova].
Estou a dar as últimas, é a verdade. E preciso urgentemente de dormir umas doze horas, de uma massagem nas costas, de muita fisioterapia e de "sopas e descanso". E também preciso de beijinhos. e festinhas na cara, e abraços fofinhos. 
Ah, e preciso urgentemente de desligar o modo preocupado e stressado. O pior é que desconheço por completo a localização do botão que diz off. Deve ser nas costas. 

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