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Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

29
Abr12

Acaba este blogue com uma carta para ti.

ana
Lembro-me do dia em que percebi que te amava. Lembro-me dele e sorrio.
A nossa história dava um filme, ou um livro, é indiscutível. De humor, se pensarmos nos primeiros tempos; romântico se retratasse os primeiros anos de namoro; um drama, nestes três anos que passaram; de terror, nestes últimos dias. O nosso amor já deu mil e uma voltas e nós segui-mo-lo sempre. Umas vezes num passo certo e confiante, outras às cambalhotas, tropeçando em todos os obstáculos que a puta da vida nos deu.
Eu e tu somos tudo. Sabe-mo-lo. Lutadoras e desistentes. Calmas e impacientes. Perfeitas e imperfeitas.
Nós estamos neste ponto. Com um pé em terra e outro no precipício. E estamos assim há muito, a equilibrar-nos para não cairmos, a tentar, a tudo o custo, recuar para terra firme. Mas, nós estamos a viver aquilo que construímos. Temos bases sólidas mas paredes frágeis. E a vida teima em abanar-nos. As paredes caiem,nós voltamos a ergue-las, à pressa, remendamos aqui e ali com os meios que temos. Ficam de pé, suspiramos, e seguimos em frente.
Somos fortes, não duvido. Estamos quase sozinhas e percorremos um percurso que não imaginávamos assim. Estamos as duas ainda. Está o amor que nos une. Está o abismo também.
E estás tu e estou eu. Cada qual com as suas frustrações. Eu fui embora, assumo a culpa. Tu ficaste e nunca te habituaste às novas rotinas. Fui incapaz de te fazer feliz à distância. Talvez seja impossível. Amei-te mais. Valorizei cada segundo contigo e apercebi-me que tens de estar presente para que tudo o resto faço sentido. Errei tanto. Ainda erro. Mas aprendi. Descobri que não sou uma mulher só de carreira. Eu que sempre achei que o emprego, para o qual tenho realmente vocação e paixão, fosse o suficiente para estar bem. Talvez o fosse se tu não existisses, se não tivesses aparecido na minha vida, se não me tivesses feito tanto bem. Agora sei que tenho de conciliar ambas as coisas, mas sei também que quero, prioritariamente, (re)construir a nossa relação. Quero e preciso de me dedicar ao amor. Serei retrograda para muitos, uma parva romântica para outros. O amor não põe comida na mesa. Mas eu não estou a abandonar o meu sonho. Não quero esquecer o museu nem a arte. Não seria feliz se o fizesse. Estou apenas a abrandar. A não avançar já, a não fazer tudo ao mesmo tempo.
Primeiro quero-te a ti. Quero construir as paredes tão sólidas como a base, quero ter os dois pés em terra. Preciso dessa estabilidade, para depois ter cabeça e confiança para me entregar à profissão que me preenche. É isto que quero agora.
Sou capaz de mais do que julgava e tu és mais frágil do que eu pensava. Eras o meu apoio, sempre o foste, mas agora afundas comigo. Ergo-me mais facilmente que tu. Houve uma inversão de papeis e eu sinto falta da tua tenacidade. A distancia que te impus levou tanto de ti. Sofro por isso. Fiz-te tanto mal. Preciso de te recuperar. Quero o teu sorriso genuíno, as palavras certas, o apoio incondicional. Quero-te de volta, mulher mais bela de todas, a certa para mim, a única que me completa.
Peço-te mais uma oportunidade. Agarro-te novamente porque sei que precisas. Não te deixarei cair. Amas-me ainda. E eu amo-te a ti. Quem me dera que fosse tudo tão simples como o amor que nos une. Mas não é. E é preciso mais do que amor. Somos precisas nós e tudo aquilo que temos para dar. E eu bem sei que estamos exaustas.
Mas não concebo a ideia de te perder. Não, enquanto souber que há amor e vontade de continuar. Não desisto. Sei que ainda tenho muito para te dar, sei que ainda tens tanto para me dar a mim. Não vou deitar aquilo que ainda temos fora, porque sei, que, com muito esforço, ainda vai funcionar. Prefiro continuar a chorar agora, por termos a vida de pernas para o ar, do que chorar por não ter tentado voltar a encaminha-la. Eu não vou baixar os braços. Não vou camuflar problemas e fingir que está tudo bem. Eu vou construir a parede com betão, sem falhas, sem lacunas. E tu vais construí-la comigo também. Vais levantar-te e lutar comigo. Caminhamos devagar, ao teu ritmo. Confia em mim.
Nós estamos neste ponto. Com um pé em terra e outro no precipício. Mas por favor, dá-me a mão, vamos tentar mais uma vez.

Amo-te


***

Fica assim suspensa a actividade no quarto. Obrigada a todos e todas os que por aqui passaram, obrigada pelas partilhas, pelas palavras, por tudo. 
Qualquer coisa que precisem digam, sempre. O mail (umquartoparaduas@gmail.com) continua à vossa disposição. 
Sejam felizes. 

Filipa

24
Abr12

...

ana
Eu tinha tantos planos para esta semana. Tinha tudo pensado já. Dar um saltinho à Feira do Livro, descer a Avenida amanhã com um cravo na mão e, lá para quinta, começar a tirar umas fotografias para um trabalho. Hoje passei a tarde na cama, doente. Os ouvidos, novamente. E a rinite, sempre. Sinto-me mesmo sem forças, por isso, os planos terão de ser adiados ou até mesmo eliminados. Estou mesmo chateada.
23
Abr12

...

ana
A nova interface do blogger é só a coisa mais irritante e pouco intuitiva que já vi. Para mim, é o chamado mudar de cavalo para burro.
19
Abr12

...

ana
Calma. Pára tudo! Aquilo que me está a impedir de ver, com total clareza e nitidez, as letras no computador são raios de Sol? Oh Deuses da meteorologia obrigada. Obrigada pela pausa na chuva, obrigada por afastarem as nuvens e me brindarem com luz solar. Agora, só falta dedicarem um bocado do vosso tempo aos ajustes da temperatura. Podem pôr nos 25º. Obrigada, muito obrigada.

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