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Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

28
Ago12

...

ana
Sou contra o encerramento da RTP2. Podem dizer-me que é um canal para elites, que não tem audiências, que é paradinho e que musica clássica e curtas-metragens interessam a muito pouca gente. Mas, eu acho, que a RTP2 é verdadeiro serviço público e cultural. E tanto que o nosso país precisa de ser bombardeado com cultura.
Na RTP2 as noticias são rápidas e é excluída toda a palha que os outros canais nos "obrigam a comer". Passam filmes e documentários interessantes, é o único canal onde as crianças podem ver desenhos animados a horas normais, podemos ver séries internacionais e, pasmem-se, foi lá que se viu pela primeira vez uma série de temática lésbica - a Letra L - quando em Portugal, os outros canais ainda não tinham coragem de pôr numa novela dois gays a beijarem-se. Pois, para mim, isto é serviço público. Abrir horizontes, mostrar outros conteúdos, outros tipos de música, de filmes, comentar literatura, entreter crianças e dar-nos alternativas às mil telenovelas que passam nos outros canais, é serviço público.
Se precisamos de dois canais públicos? Se calhar não.  Mas, e agora pergunto: Será a RTP1 serviço público? Pois, aí tenho algumas dúvidas.
28
Ago12

Eu não tenho filhos, mas cá na minha modesta opinião, há coisas na educação das crianças que todos os pais deviam ter em conta.

ana
Lembro-me que andava no 5ºano quando estreou o primeiro BigBrother. Era a única da minha turma que não assistia ao programa, porque os meus pais sempre me proibiram. Uma vez, talvez por ter sido apanhada a vê-lo às escondidas ou por ter falado do assunto, a minha mãe disse-me, sem grandes explicações ou filosofias - "Há programas para crianças e há programas para adultos e este não é para meninas da tua idade." Ponto final. Assunto encerrado. E eu cresci sem ver o programa [acho que vi a final na passagem de ano, porque a minha avó queria ver], sem dramas, nem traumas e com uma coisa sempre em mente: há coisas que as crianças não devem ver.
Acho que vi a minha primeira telenovela uns anos depois. Anjo Selvagem, era com a Paula Neves e, sinceramente, nem me lembro muito bem da história. Era uma criança, sempre fui incentivada a fazer outras coisas e desde sempre me explicaram que nem tudo o que aparecia na televisão era real.
Há uns anos, depois da escola, a minha prima vinha sempre cá para casa. Os Morangos com Açúcar estavam na moda e eu, como adolescente que era, não perdia um episódio. A miúda, que na altura devia ter uns dez anos, ou talvez menos, costumava ver aquilo comigo e era completamente viciada. Depois da encontrar, uma ou duas vezes, a chorar por causa de uma personagem, a bater palmas quando eles batiam palmas e a agir como louca em frente à tv, lembrei-me do que a minha mãe me disse em criança e, a partir desse dia nunca mais se viu Morangos com Açúcar em minha casa. A miúda ainda chorou uns dias, mas a decisão estava tomada. Aquilo não era para a idade dela e ela não estava preparada para perceber aquele enredo, nem aquelas histórias mirabolantes.
Esta conversa toda, porque conheço crianças (e acho que cada vez mais isto acontece) que vêem coisas que não deviam ver. E isso afecta-as, influência o seu crescimento e a forma como reagem a determinados assuntos. Conheço duas miúdas que nunca viram desenhos animados na tv, só novelas. Só falam de novelas, quiseram ir de férias para o sítio onde se gravava a novela, vivem em função do que acontece na novela. E isso, para mim, é mau, e estranho, já agora. Têm acesso a temas, a situações, que não deviam ter na idade delas. E, pior do que isto, é a falta de suporte que têm, a falta de explicações sobre aquilo que estão a ver, a ausência de uma explicação sobre o que é real e não é. Falam de sexo e de relações, sem saberem bem do que se trata, por exemplo.
Sinceramente este tipo de atitudes preocupa-me. Eu não sou mãe, nem sei se algum dia virei a ser (acho, cada vez mais, que não tenho grande perfil para ser mãe), mas acho que uma criança precisa de mais do que telenovelas na vida. Acho que deve haver um filtro naquilo que podem ou não ver na televisão, e nos outros meios de comunicação também. Deixar uma criança entrar no "mundo dos adultos", através da tv por exemplo, parece-me uma atitude muito pouco responsável por parte dos pais. Cada coisa a seu tempo.
E cá 'pra mim, ser o único da turma a não saber o que aconteceu na Casa dos Segredos na noite anterior, não põe nenhuma criança em desvantagem, muito pelo contrário, Pelo menos a mim não pôs!

23
Ago12

Não tenho nada de jeito para dizer

ana
Ando com pouca vontade de escrever. Muita gente cá por casa, como já disse, falta de momentos dignos de relato e tardes de praia e descanso, ou por vezes, sem grande descanso. Sei lá, faltam-me palavras e nem uma fotografia bonita tenho tido vontade de escolher para preencher aqui o quarto.
Já comecei três ou quatro textos, que na altura me pareceram bons, mas depois de umas linhas apago-os, porque acho que não interessam a ninguém. Se calhar até interessam, sei lá.

Olhem, um era sobre eu ter pouca paciência para pessoas que passam a vida a fazer juízos de valor, baseados na aparência física ou no "ouvi dizer". Há gente tão preconceituosa, com pequeninas coisas, sabem? Tipo, um homem que usa sandálias é gay. Ou alguém com tatuagens andar metido na droga. Coisas dessas, tão comuns aqui na aldeia e que em pleno século XXI não fazem qualquer sentido.
Depois, tinha um outro texto, onde me queixava das dores causadas pelo aparelho e da tortura que têm sido os elásticos intra-orais (googlem se não souberem o que é), mas pensei que o blog para estes assuntos é outro e que isto interessa pouco aos leitores aqui do quarto. Mais um texto apagado.
Por fim, pensei deixar aqui uma explicação pública do motivo pelo qual nunca fomos a nenhum jantar de bloggers. É simples. A Rita trabalha e tem folgas rotativas, logo não consegue saber a que dias são as suas folgas, para além disso, teria de se deslocar a Lisboa e com isso gastar dinheiro em transportes, perder tempo em viagens e descansar muito pouco, que é o principal objectivo das folgas dela. E eu sem ela não vou. Não por ser dependente dela, por não conseguir divertir-me sem a sua companhia, mas por o sábado ser o único dia em que podemos estar juntas. E eu não abdico disso por nada. E gostava de vos conhecer, acreditem, e imagino que os jantares sejam extremamente divertidos, mas a minha namorada é a minha prioridade, porque o tempo que temos para nós é escasso. Como sabem, em breve irá realizar-se um outro jantar, e mais uma vez não sabemos se vamos estar presentes. Se não formos já sabem o motivo. Não é por sermos snobs, anti-sociais, nem nada disso, é mesmo porque não dá.

E é isto. Não tenho escrito porque não me tem apetecido e porque não tenho nada interessante para dizer. Em breve acabam as férias e volta tudo ao normal.
Sempre que me apetecer venho aqui deixar umas letrinhas, só para vocês saberem que estou viva e que não vos abandonei.

19
Ago12

...

ana
Apetece-me chorar. Preciso imensamente de passar um dia a chorar. Para me encontrar, para deitar fora o que me magoa, para ter forças outra vez. Preciso de chorar e limpar as lágrimas depois. Preciso de aguentar firme até ao fim, preciso de ter a calma que o secar das lágrimas me traz.
Quero chorar, quero fazê-lo e lembrar-me que é sempre assim. É mais um verão como todos os outros. E isso não muda, não muda quando não se quer mudar. Quero chorar e adormecer depois. Exausta. Só para sonhar com uma realidade diferente.

19
Ago12

Agosto #1

ana
É sempre por esta altura que começo a odiar estar de férias. Por tudo, por todos os motivos. Preferia estar em Lisboa, pelo menos lá há mais para fazer. O resto é igual, estar cá ou lá.
19
Ago12

...

ana
Sempre que abro o Facebook e no meu mural tenho uma noticia sobre homossexualidade penso logo: não leias os comentários Filipa, olha que vais arrepender-te.
Mas, sei lá eu porquê, acabo sempre por ler. E arrependo-me sempre. São sempre comentários tão homofóbicos e moralistas, carregados de julgamentos baratos e preconceito, que me fazem ficar mal disposta durante dias.
13
Ago12

Agosto

ana
Por cá vivem-se dias cheios. Cheios de gente, cheios de conversas, cheios de comida, cheios de planos. Dias demasiado cheios, para mim, que sou pessoa que gosta de calma e sossego.
A família encontra-se toda reunida. A dela lá e a minha cá. Agosto é o mês dos que estão "lá fora" retornarem à base. E, se por um lado é bom, por outro, só quero que tudo passe a correr e que os dias voltem a ser o que eram. Mais vazios, mas mais preenchidos por ela, por nós, pelas nossas coisas.
Sou egoísta, já o sei. Sou dada a poucos saudosismos familiares. É o meu irmão, bem sei; gosto dele, claro está; tenho saudades, muitas vezes; custa-me que tenha ido viver para outro país e preferia que continuasse aqui. Mas foi, e vivo bem com isso! Sei que é feliz lá. E felicidade é o que mais desejo para a família. Cá ou lá, em Portugal ou no estrangeiro.
Mas, voltando à rotina de férias com família, é sempre complicado gerir o tempo. Ele não estica, não dá para tudo. Quase nunca sobra para nós. Ainda por cima assim, sem ninguém saber que eu tenho uma relação, uma namorada. Programam-me os dias como se eu os tivesse completamente em branco. Não tenho. Tenho a vida, com família ou sem ela, preenchida pela Rita, que, mesmo distante, precisa do meu tempo, da minha disponibilidade e da minha atenção.
É complicado e desgastante. É, para mim, altura de grande stress. São sempre tempos de discussões com a Rita, desde os primórdios da nossa relação. É que se para mim a família é só mais uma parte, para ela é a parte principal. O motivo de grandes ausências, de amnésias, que a fazem esquecer que continua a ser minha namorada. Enfim, é sempre uma confusão, uma frustração para mim, que sou tão diferente em relação ao assunto "família".
Não vale a pena desesperar, é o que tenho aprendido. Eu e ela somos diferentes (ainda bem!) e só tenho de respeitar isso. Se cada uma de nós fizer as cedências necessárias e um esforço extra para adequar a situação à relação, acredito que tudo corra bem.
Este ano há a promessa de que tudo vai ser diferente! Assim espero. Já só faltam duas semanas, respira fundo Filipa, respira fundo!
09
Ago12

O que eu gostava mesmo era de ser como o Bolt

ana
Há quem gostasse de saber pintar bem e ter os seus quadros numa galeria. Há quem quisesse ser escritor e ganhar um Nobel. Existem ainda aqueles que sonhavam, por exemplo, ser astronautas e pisar Marte. Acho que todos temos uma profissão, impossível, utópica, que gostávamos de desempenhar. Eu gostava de ser atleta, velocista, para ser mais específica, e ir aos JO, ganhar uma medalha e subir ao pódio. Era só isto. E olhem que eu, no secundário, era a mais rápida da escola. Uma vez fiquei em primeiro numa competição escolar, que dava acesso aos distritais, mas o professor encarregue de entregar as autorizações para os encarregados de educação esqueceu-se de me dar a minha. Não fui, também não me importei, mas agora que penso nisso, talvez tenha perdido a oportunidade da minha vida. 
 
06
Ago12

Numa outra vida

ana
Podia ser tudo igual a esta. Tudinho. Até o que foi mau. Apenas mudava uma coisa: os problemas na coluna. Numa outra vida espero não ter escolioses, nem dores.
Voltei à fisioterapia e, já à algumas semanas, ao pilates, para ver se isto vai ao sitio e se a postura melhora um bocadinho.
Abdominais mais fortes, já tenho. Espero resultados no resto.

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