Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

31
Mai13

Às vezes, dá-me para pensar nestas coisas

ana
Fico sempre desconfiada quando me dizem que nunca discutem com o namorado, ou namorada. Que já namoram há não sei quantos anos e que nunca tiveram uma discussão, que nunca lhes saltou a tampa, que nunca disseram umas coisas menos agradáveis. Eu considero que tenho uma boa relação com a Rita, longa e estável, e não é por isso que, de vez em quando, não discutimos. Por vezes, por causa de coisas insignificantes, basta estarmos mais sensíveis ou cansadas para que isso aconteça. Ficamos chateadas, discutimos o assunto (quando nos passa o amuo), resolvemos o problema e fica tudo bem. Claro que não andamos aos gritos, nem dizemos tudo o que nos vem à cabeça com o intuito de nos magoarmos (e mesmo assim, de vez em quando, lá nos saem uns disparates), mas é normal desentendermo-nos, é normal que nem sempre seja possível resolver os problemas da forma mais pacifica. E eu acredito que isto aconteça em todas as relações, até acho saudável. Há um problema, resolve-se, não se ignora!
É por isto, que fico de pé atrás quando me pintam cenários muito perfeitos. Uma relação é feita por duas pessoas, que não têm de concordar em tudo, que são humanas e, por isso, cometem erros. Numa relação nem sempre tudo corre bem, pelo menos na nossa não, mas não é isso que nos torna menos felizes e cúmplices.
Chamem-me doida, mas eu não trocava a nossa relação, com todos os amuos e chatices, por uma onde nunca se discutiu nem houve zangas, que seca que isso é. Nem devem conversar, só assim é  possível nunca discordarem!
30
Mai13

...

ana
Eu, que aderi ao Facebook quando já toda a gente o utilizava há séculos e que não queria estar em redes sociais porque era uma perda de tempo e fonte de procrastinação, engulo agora o orgulho e admito que, actualmente, tenho conta em praticamente tudo o que existe. Verdadinha. Twitter, Facebook, Tumblr, Linkedin e Instagram. Ridículo! Bem, a verdade é que algumas destas contas estão associadas aqui ao Blog (mais uma rede social, sou um caso perdido!), o Tumblr e um dos Facebook, por exemplo. E, também é preciso salientar que é raro (tipo de mês a mês) ir ao Twitter ou ao Linkedin. No dia-a-dia, apenas utilizo o Facebook, que é mesmo onde perco mais tempo, e o Tumblr já está a cair no esquecimento.
Acham grave? Patológico? Sou a única?
Eu sabia que nunca devia ter entrado neste mundo, eu sabia. Agora já é tarde, fui apanhada na teia!
28
Mai13

Estão a chegar as Marchas

ana
Fica a informação para quem interessar:

Marcha do Orgulho LGBT Lisboa - 22 de Junho/17h Jardim do Príncipe Real

Arraial Pride - 6 de Julho/16h às 4h Terreiro do Paço, Lisboa

Marcha do Orgulho LGBT Porto - 6 de Julho/15:30h Praça da República

Marcha do Orgulho LGBT Ponta Delgada - 31 de Agosto

Marcha do Orgulho LGBT Braga - Em fase de organização. A data ainda não está definida, mas pensa-se que será depois da Marcha do Porto. Mais informações aqui.

Edit: A Marcha de Braga já tem data. Fresquinha, fresquinha. Será dia 13 de Julho.

28
Mai13

Assunto escatológico, cuidado!

ana
Oh deuses das caixas de areia, ajudem-me nisto, por favor! Xavier - o gato amarelo, todos os dias me brinda com um presente fora da caixa de areia. Todos os dias, pessoas. Já mudei a areia, já lavei a caixa, já fiz tudo o que me disseram para fazer, desde gotinhas de lixívia na areia a bolas de naftalina (imaginem o cheiro) no local onde costuma fazer o seu cocó. Nada resulta. Pequeno Xavi utiliza uma vez a sua caixinha e na vez seguint, vá-se lá saber porquê, escolhe outra superfície para as suas necessidades.
Eu sei que isto não vos interessa, mas haverá alguém por aí, dona de gatos com muuita experiência nestas coisas, que me possa ajudar? É que isto de andar a limpar cáca todos os dias deixa-me um bocadinho chateada.
28
Mai13

Masoquismo

ana
Ver o Prós e Contras de hoje foi uma espécie de masoquismo. O tema - coadopção, claro. Os contras do costume, o da ordem dos advogados, já nem consigo chamar-lhe senhor ou doutor, e o director do Refúgio Aboim Ascenção, que oportuno para quem vive do "negocio" das crianças institucionalizadas.
Foi de perder a cabeça. Que ignorância, que falta de respeito, que parvoíce. Que debate ridículo, que contras tão patetas. Já não se aguentam os argumentos batidíssimos, usados até à exaustão, a conversa quase psicótica de que uma criança só é feliz com um pai e uma mãe, que é anti-natura, e bla bla bla. Não há paciência!
E também não se aguentam os discursos moralistas e muito católicos. E o exemplo ridículo, de um pai orgulhoso, a quem o filho disse, depois de o papá lhe explicar que as crianças irão poder ser adoptadas por dois pais ou duas pais, "Ai pai, mas que estupidez!". Fogo, que motivo de orgulho é educar crianças preconceituosas e formatadas, que coisa boa.
Ah, e é exasperante aquela moderadora horrível, tendenciosa (parece-me ser do contra), que no final do debate, já nas despedidas, dá a palavra ao senhor director do Refúgio, para que este apele à sociedade que não deixe a lei ir para a frente, e que depois nega a palavra ao outro lado, acabando o debate assim, sem direito de resposta. Muito bem, imparcialidade sempre!
Eu sei que este assunto já cansa. e eu até prometi a mim mesma não voltar a escrever sobre ele, mas hoje não consegui. Ouvi coisas tão despropositadas e ignorantes, fiquei tão revoltada, ofendida até, que não podia deixar passar isto. Tinha de falar do assunto, se não rebentava.
Sinceramente, eu acho que gostava de ser mãe. Gostava de ter um filho com a mulher que amo. Não sei se algum dia o concretizaremos, mas tenho a certeza absoluta que tenho capacidade, e a Rita também, para ser mãe e para educar uma criança. Tenho a certeza que amaria o nosso filho como qualquer pai e mãe. Não há género nos afectos, que parvoíce esta que o bastonário defende. Existem sim, diferentes formas de nos relacionarmos com os filhos (em qualquer tipo de família). Não há amor de mãe ou de pai, que coisa mais parva. Há amor. Ponto. E eu tenho tanta capacidade de amar uma criança, um filho, como outra pessoa qualquer. Aliás, se um dia tiver um filho, tenho a certeza que será o centro do meu mundo, o meu amor maior (a par com a mulher que amo), será a minha prioridade, poderá não ser o melhor aluno na escola, mas será de certeza (em tudo o que depender de mim) uma criança educada para o respeito pelos outros, pela diferença, pela tolerância. Ensinar a não apontar o dedo, a não julgar, será sempre uma prioridade na educação de um filho meu. E por isso, perdoem-me a sinceridade, o meu será sempre melhor que o filho de um heterossexual, conservador e atrasado, que educa uma criança para a rejeição dos outros e para a discriminação.
E não, não acho que um filho de mães lésbicas vá sentir a falta de um pai. Não vai ter saudades de uma realidade que não é a dele (isto no caso de inseminação artificial). E também não admito que me neguem o direito (sim eu acho que é um direito!) de desejar ter um filho, com base no argumento estúpido de que ter filhos não é um direito. É o quê, uma obrigação? Uma lei da natureza? Expliquem-me, que eu não percebo.
E, para terminar, deixem-me dizer que muito me incomoda ver gente tão nova, da minha idade talvez, sentada nas cadeiras do contra. Gente que nasceu num país livre e que não sabe, nem nunca deu valor, ao que é a liberdade. Que não vivem, nem deixam viver. Jovens que passam a vida a apontar o dedo, a julgar quem os rodeia, manipulados pelas redes sociais e pelos meios de comunicação. Acordem para o mundo! Explorem o que vos rodeia, conheçam outras realidades, outros estilos de vida, outras formas de pensar. Conheçam o que está à vossa volta, escolham aquilo com que se identificam e aprendam a respeitar quem segue outra maré. Aprendam a lutar contra os vossos preconceitos. Garanto-vos que serão bem mais felizes.

Bem, fico-me por aqui. E fica o arrependimento de ter visto o maldito debate. Não lido bem com a injustiça e imbecilidade. Mas também não suporto ficar calada e, não podendo dizer isto na cara daquela gente, deixo-o aqui, escrito para quem quiser ler.

26
Mai13

...

ana
Parece que estou com jet lag, de tão cansada que estou e cheia de sono. Foram dias (e noites) de arromba. Muito riso, que nos é característico, muita parvoíce e as mesmas rotinas, que não esqueço. A dinâmica daquela casa é algo que nos fica para sempre, não duvido. Cumplicidade, partilha e amizade, caracterizam na perfeição aquilo que vivemos ali. Gosto tanto de lá voltar.
23
Mai13

...

ana
Uma coisa engraçada, em que reparo sempre que há discussões que envolvem os direitos LGBT, é o não assunto das terminologias. Quando os argumentos escasseiam, o lado contra LGBT, recorre sempre à nomenclatura e sua definição.
O casamente não podia chamar-se casamento. Credo! Que ultraje, que coisa do Demo. União de facto e mesmo assim já estão a abusar. Devia ser "ajuntamento" e já era um luxo, que os homossexuais não merecem tanto.
Um casal? Não, um casal é um homem e uma mulher. Não misturemos as coisas. São companheiros e companheiras. Namorados e namoradas. Casal não!
E com a adopção desconfio que venha a ser a mesma coisa. Com sorte, um dia, seremos tutores de alguma criança. País ou mães é melhor não, que isso vem baralhar a lei cósmica já estabelecida.
Sinceramente, e agora perdoem-me o termo, estou-me a cagar para isto tudo. Aliás, quando a discussão resvala para aqui, dá-me logo vontade de rir.
Aquilo que tenho com a Rita, aquilo que somos, ultrapassa qualquer nomenclatura. O que temos é bem mais que uma definição. Por isso, se somos um casal ou não, não me causa qualquer transtorno. Nós somos aquilo que sentimos uma pela outra, os dias vividos a duas, os olhares e as palavras que partilhamos; Somos "meu amor" e "minha linda";  Somos desejos para o futuro.
Nós ultrapassamos rótulos e definições. Para mim, uma relação é bem mais do que isso, é bem mais do que convenções e normas, é bem mais do que os nomes que lhe atribuímos.
Guardem lá, bem guardadinho, o "casal" para os hetero, separem bem as coisinhas todas, não se misturem que isto pega-se, fujam de nós. E divirtam-se, divirtam-se em discussões patetas e argumentos do arco da velha, que nós por cá somos felizes, casadas ou unidas de facto, que o amor, quer queiram quer não, é igual para todos.

Pág. 1/4