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Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

28
Jun15

Aguentem-se, é aqui no quarto que vou enxugar as lágrimas

ana

Ontem, chorei como um bebé ao colo da minha tia. Não consegui dizer nada. Solucei, chorei, um choro profundo, desesperado, doloroso. Chorei agarrada a ela, completamente indefesa, vulnerável, nua, despida de mim, de tudo. 

Ela disse-me para chorar a vontade, que não precisava de dizer nada. E eu não disse. Porque nem sequer sabia o que dizer. 

Depois levantei-me, limpei as lágrimas e o ranho e disse-lhe:

- Vamos brincar com os gatos. 

E ela agarrou-me na mão e fomos!

 

28
Jun15

Coisas minhas, constatações, dúvidas e tal

ana

Estou doente, por isso, posso dizer tudo o que me apetecer.

Vão para o caralho, vão se foder, vão à merdinha:

Todos os homofóbicos deste mundo;

Todos os que estão para aí com merdas por causa das fotos arco iris no facebook. Opa eu também não gosto de ver fotos de miúdos com cancro e sem pernas, mas quem as quer partilhar, partilhe.

"Ah e tal porque foi nos estados unidos e nem temos nada a ver com isso, que mania esta dos gays andarem para aí a espalhar o orgulho". A sério, calem-se!

" Ah, porque estão miúdos a morrer à fome, atentados terroristas a acontecer, guerra e a Grécia está falida e vocês, paneleiros e fufas, só olham para o vosso umbigo". Ya ya, porque eu só posso ter uma causa, porque eu não posso ficar feliz com uma avanço civilizacional, porque eu não posso achar que a liberdade de casar é assim uma coisa muito importante, ao mesmo tempo que me revolto com os milhares de refugiados do mundo!

A sério, gente de merda. Olhem que eu não sou nada de bandeirinhas e arco iris e marchas e o diabo a sete, mas fechava esta gente toda no Trumps a levar com um rabo de um travesti na cara! Obrigava-os a ver porno gay dois meses seguidos. Caralho, se eu pudesse fechava-os numa ilha cheia de gays e lésbicas. Só para morrerem lentamente, na agonia da sua homofobia e estupidez. 

Vivam as vossas vidas. Ocupem-se e desfrutem dos vossos dias. Deixem-se de moralismos parvos. Chatos de merda. Façam amor, mandem umas quecas boas e deixem as fotografias arco iris em paz. 

Eu não estou boa da cabeça. Ando com pouca paciência para gente estúpida. Fechem-se na vossa gruta uns tempos, peço-vos, para bem da minha sanidade mental (que é pouca, para ser franca!)

 

27
Jun15

...

ana

Não consigo explicar a quem amo, a quem me tenta ajudar, a quem dá tudo por mim o medo que sinto. O medo de perder tudo e todos. O vazio que sinto. A falta de confiança. A tremenda insegurança. 

Não consigo explicar que não faço por mal quando "dou um passo atrás". Quando me sinto triste. Quando tenho dias em que me apetece chorar e desistir de tudo. 

Muitas vezes não o verbalizo. Porque não quero desiludir ninguém. Porque tenho medo de perder quem amo. Porque tenho medo que desistam de mim. 

Eu não sou nada, neste momento. Um corpo, apenas. Uma mente que não controlo e me atraiçoa. 

Eu não sei explicar isto a ninguém. Eu não consigo fazer com que me entendam. Eu vivo o medo constante de ficar sem nada. Com menos do que tenho, que é pouco.

Eu tenho medo de perder o mais importante, Ela! E não sei mesmo como explicar-lhe isso, sem parecer louca e obssecada, sem parecer que apenas a quero para me curar. Não! Não é isso. Eu só não quero perder o meu grande amor! 

 

 

05
Jun15

Até já

ana

Esperei uns dias para escrever sobre isto. Primeiro, porque tive de me "consertar" um bocadinho. Depois, porque é algo bastante pessoal. 

Pensei no assunto. Provavelmente, se tivesse ido ao hospital por causa de uma gastroenterite, falava disso aqui sem problemas. Por isso, porque não contar que fui ao hospital e saí de lá com um diagnóstico de depressão? É igual. Uma doença, como tantas outras. 

As coisas foram acontecendo. Umas atrás de outras. Fui ignorando os sintomas. Fui achando que era uma fase. Estava triste, frustrada, ansiosa, mas ia passar. Não passou. E piorou. 

Passei a viver num estado de ansiedade constante. Comecei a perder o controlo das emoções. Chorava por tudo. Uma, duas, três noites sem dormir. Em três/quatro dias perdi três quilos, deixei de comer. Tudo me preocupava, me angustiava. Pensei em morte, na razão da minha existência. 

Um dia, antes de ter uma crise de choro, ansiedade, pânico, algo tão forte, tão destruidor, tão doloroso, tive um momento de lucidez e enviei uma mensagem à minha mãe a pedir ajuda. Nessa tarde, fui parar às urgências de um hospital. 

Uma médica excelente. Nada de "paninhos quentes". Estás doente, eu vou ajudar-te, mas a cura está nas tuas mãos. 

Agora é olhar para a frente. Estou medicada. Sinto os terríveis efeitos dos medicamentos, ainda não sinto grandes melhoras, mas é tudo muito recente. 

Tenho pela frente dias melhores e piores. Eu sei. Já passei por isto. É uma luta constante e difícil.

Dar tempo ao tempo. Ter força. Não desistir. É nisto que tento focar-me. 

 

[O blog vai ficar um bocadinho abandonado. Vou passando por cá, aprovo comentários, vejo o mail, se precisarem de alguma coisa digam, que eu vou respondendo. Apenas vou deixar a escrita para segundo plano. Agora preciso de cuidar de mim.]