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Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

30
Jul15

Come out

ana

Li mil e uma coisas sobre "coming out". Imaginei  centenas de formas de o fazer. Toda a gente à  minha volta já sabia, amigos, até os pais  da joana, faltava contar aos meus pais e eu nao fazia ideia de como o fazer.

Podia te-lo feito de inúmeras  formas, acabei da fazer de uma forma e numa situação  que nunca me tinha passado pela cabeça. 

As coisas entre nos andavam complicadas. Rotina, uns stresses de ultima hora, uma relação de 9 anos que precisava de mais dedicação,  ou melhor,  de um outro tipo de dedicação da nossa parte. Entrevistas  de emprego, muitos nãos. A minha cabeça  estava a rebentar. Passei umas noites sem dormir. Passei dias a pensar na minha vida, a ve-la desmoronar à  minha frente.  

Uma noite, completamente descontrolada, tive de ceder e pedir à  minha mãe  algo para me ajudar a dormir.  Mal me perguntou  o que se passava, desatei a chorar. Nao aguentava mais.

Depois vieram as perguntas. Eu tinha que falar. A minha relação  estava por um fio e eu sabia que sozinha,  sem o apoio da familia e amigos, não  seria capaz de ultrapassar uma separação. Não  tinha condições psicológicas para o fazer. 

Entre choro e soluços, pus as cartas na mesa e contei tudo à minha mãe. 

Nao se mostrou surpreendida e disse que o importante era ser feliz. Que gostava de mim independentemente disso, que nada ia alterar o que sente por mim.

Apesar de toda a situação  (e de depois ter ido parar às urgências  de um hospital  nos dias seguintes) foi um alívio.  O maior alívio  da minha vida. Foi tirar o mundo das costas. 

Sinto-me muito feliz por o ter feito. Não  da forma que idealizei,  mas da forma que foi possível. Aconteceu quando tinha de acontecer, sem plano, sem nada. 

Depois disso a nossa vida mudou imenso. As coisas entre mim e a rita resolveram -se, e a saida do armário  teve um papel importante nisso.

Agora nao escondemos nada de ninguém.  Vivemos a nossa vida sem segredos. Sem o stresse de ser apanhada, sem desculpas.

Apesar de estar habituada a viver no "don't ask, don't tell" e de viver bem com essa minha escolha,  posso dizer que sair do armario foi das melhores coisas da minha vida. A liberdade que se sente é maravilhosa. 

Não  me arrependo.  

25
Jul15

Para vocês, que são importantes, mesmo atrás de um ecrã!

ana

Estive a ver a quantidade de comentários que deixei sem resposta. Tentei responder a alguns individualmente, mas não consigo responder a todos. Peço desculpa por isso. Eu tenho lido tudo o que me têm enviado e agradeço cada palavra vossa. 

Agradeço especialmente a tod@s @s que me têm dado apoio nesta fase mais complicada. Agradeço cada palavra de força, o tempo que perdem a dar-me apoio e algum "aconchego". 

Agradeço, do fundo do meu coração, as mensagens que me têm enviado aqui, no face ou por email. 

E, não desvalorizando ninguém, agradeço, muito muito, à orquídea, do Debaixo do Pessegueiro, pela grande ajuda que me deu, por ter sido tão importante no início desta longa caminhada. 

Cada palavra vossa foi importante. 

Um dia, assim que surja oportunidade, pago-vos um copo, um café, o que quiserem. 

Um enorme obrigada a tod@s. E um beijinho grande. 

[Prometo tentar responder aos vosso comentários, agora que já me.sinto um pouco.melhor.]

 

23
Jul15

Ai, o Centro de Emprego!

ana

Fui à sessão informativa. Era só para nos informarem que vai abrir uma formação sobre "programação c#". Não faço ideia o que isso é. A dótora do IEFP explicou-nos que era uma coisa muito específica, indicada para quem já tem formação na área. Perguntou quantas pessoas eram da área. Numa sala com cerca de 100 pessoas ninguém levantou o dedo. 

Saímos como entrámos. Na mesma. 

Alguns fizeram uns 40km para estar ali as 10 da manhã. 

E foi isto.

20
Jul15

A/C dos gajos do IEFP

ana

Caríssimos "gajos" do IEFP,

 

Agradeço a inutil carta que me enviaram. Mais uma, no meio de tantas outras. 

Quando decidi inscrever-me no Centro de Emprego estava completamente enganada em relação às vossas competências. Uma pessoa tem sempre esperança, haverá, de certo, algo que funcione bem neste país. Infelizmente, não é a vossa instituição. 

Adiante, convocam-me vossas excelências para mais uma sessão de informativa, desta vez sobre um curso qualquer leccionado no instituto politécnico cá da zona. 

Encaro isto como um atentado à minha inteligência, que não sendo fora do comum, é suficiente para saber pesquisar e informar-me sobre cursos, nesse instituto ou noutro qualquer. 

Melhor, se me vão dizer que posso frequentar uma qualquer pós graduação ou mestrado, lamento, mas não me estão a dar novidade nenhuma. 

Não digo que não queira voltar a estudar, gostava imenso. Mas para isso precisava de ter uns trocos que não tenho, coisa que só conseguirei resolver quando tiver um emprego! Extraordinário, não acham?

Como sabem, formações, que sou obrigada a frequentar sob ameaça de expulsão do vosso clã, e sessões informativas não aumentam os meus rendimentos, que são nenhuns. Muito pelo contrário, deslocar-me às vossas formações só me faz gastar recursos e tempo. 

Eu sei. Eu sei que vos dá jeito endrominar as estatísticas do desemprego em Portugal. Ter uns quantos a frequentar umas formaçõezecas, sejam de jardinagem ou de marketing, sempre dá para diminuir números incómodos. 

Também resulta se "aconselharem" a malta a tirar mais um curso, livre, mestrado ou pós graduação. Como se a malta desempregada fosse atrasada mental e não soubesse disso. Acredito que seja igualmente bom para as estatiscas ter muita gente cheia de habilitações. Um país de doutores fica muito bem na "fotografia". 

Se essas pessoas trabalham, ou não, é uma questão secundária. Isso não importa nada. O que interessa é que o documento em exel e os gráficos estejam mais do vosso agrado!

Muito bem. Lá vou, na próxima quinta feira, ouvir o que têm para me dizer, já que não me dá jeito nenhum ficar 90 dias sem me poder voltar a inscrever. É que pronto, apesar da vossa inutilidade, parece que estar inscrita no IEFP me é absolutamente indispensável, nem que seja para me poder inscrever nos vossos estágios ridículos e de escravatura dos tempos modernos. 

Vocês são muito espertinhos, amigos. Essa técnica de mandar areia para os olhos da malta é muito boa. 

 

Vá, um abracinho condescendente e um beijinho na testa. 

 

Filipa

 

P.S.: Não seria mais fácil poder renovar a minha inscrição na plataforma online? É que aqueles papelinhos raquíticos que me enviam para casa, para eu preencher e voltar a enviar-vos, estão condenados a.ficar esquecidos no fundo da minha mala. 

19
Jul15

Para os que por aqui andam

ana

Li o último texto que escrevi, o penúltimo também, e até tenho vergonha, de tão mal escritos que estão!

Perdoem-me estas falhas, e a ausência e falta de respostas aos vossos comentários, mas ainda não consigo pensar mais de três segundos seguidos sem me perder. 

Até vos digo mais, o tempo que demorei a escrever o texto atenrior dava para escrever um Nobel da literatura. Mas não, saiu mesmo aquela borrada!

Enfim, isto está fraquinho.

18
Jul15

Coisas minhas, constatações, dúvidas e tal

ana

Por estes dias, um rapazito que conhecemos soube do nosso namoro. Nunca o escondemos, mas ele, distraído e pouco "pensador", nunca tinha juntado 1+1. 

Adiante. Pois que o rapaz descobriu e tem como principal actividade de lazer comentar as nossas fotos no facebook. 

Uns comentários básicos, inocentes. Outros mais para o atrevido. 

Os deuses dotaram-me de muita paciência, felizmente, e eu lá fui esclarecendo o menino. 

"Ah eu nunca conheci um casal gay", " Ah e tal como é que é? ". E eu, mesmo naqueles dias em que a paciência era escassa, lá ia respondendo, matando a curiosidade, que sou da opinião que gente informada é melhor do que gente ignorante e cheia de preconceitos parvos. 

Mas, e há sempre um mas nestas histórias, o rapazito é mais do que curioso. É parvo. É intrometido. É daqueles que só viu lésbicas em filmes porno. E começou a fazer umas perguntas parvas e a deixar a sua homofobia vir ao de cima. 

Uma vez, disse-me, com a maior das latas, que só ia jantar connosco se não tivéssemos " comportamentos menos próprios ". Perguntei-lhe o que isso era e tive como resposta um " beijos e coisas do género ". Contei até dez e perguntei-lhe se não beijava a namorada quando queria. Disse-me que não o fazia em público. [Tem piada isto, porque ele é daqueles que pública fotos no facebook onde se vê bem mais do que aquilo que se desejaria, tipo as amígdalas da namorada! Mas já se sabe, o facebook é uma rede privada, não é preciso estar com grandes pudores.]

Superei está conversa. Dei um desconto, já se sabe que nem sempre temos a cabeça a funcionar a cem por cento. 

Até ontem. Uma inocente foto na praia despoletou toda uma conversa surreal! 

O rapaz ficou espantadissimo por saber que nos beijamos! Esse crime. Essa nojeira. Esse " incómodo ". 

Talvez tenha de comprar uma ilha só para nós, foi a conclusão a que cheguei.

Enquanto não tenho dinheiro para isso, deixei de responder-lhe às mensagens, só para não me enervar! 

13
Jul15

ana

Passamos o fim de semana em Lisboa e foi óptimo ternos estes dias só para nós. 

Não tenho fotos para mostrar, não sei fotografar Lisboa. Os meus dotes fotográficos não fazem justiça à beleza da cidade.

Fotografo-a com o olhar e com o coração, a cada visita, a cada passagem. 

São tão mais nítidos os lugares, as pessoas e os cheiros sem o "filtro" de uma lente [rasca de um telemóvel]. 

Por acaso, fotografei um crepe. Maravilhoso, glúten free. La creperie das Amoreiras (também existe no Mercado da Ribeira). Um sito a repetir. 

E foi isto. E muito mais. Mas isso vou guardar para mim, porque há coisas que não se explicam, sentem-se. E eu, por mais que tente, jamais conseguirei explicar a sensação extraordinária que é partilhar a vida, planos e sentir o coração a rebentar de amor pela mulher mais especial e maravilhosa do mundo, a minha namorada. O meu amor maior!

 

09
Jul15

Só para actualizar

ana

Foram as festas cá da vila. Deitei-me tarde umas noites e não devia. Mas foi bom e isso é que importa.

Dormi em casa da Rita, almocei com os país dela e correu tudo muito bem. O pai dela trata-me por você, foi a única pessoa que não me perguntou "história da arte serve para quê?" e preocupou-se com a minha magreza e saúde. 

Já fui à praia dois dias, mas o tempo estava um porcaria. Aquele ventinho tão característico, o mar bravo e água gelada. 

Tenho sido babysitter. Para a semana junta-se mais um puto ao grupo. Duas crianças e uma adolescente. Já decidi que não quero ter filhos. 

Em breve a minha miúda está de férias e já dá para uns programinhas mais entusiasmantes. 

E é isto. Vai-se andando, minha gente. 

08
Jul15

Indignados

ana

Os portugueses (alerta generalização!) são um povo muito engraçado.

Ficam muito indignados porque uma gaja de Madrid, com emprego em Madrid, com uma carreira de sucesso em Madrid, com família em Madrid diz que trocar Madrid pelo Porto é uma cena que não lhe apetece assim tanto e que era como descer de divisão. 

Não vejo onde está o problema. Até acho normal. Ou a rapariga tem de ir atrás do marido para todo o lado, para lhe fazer o jantar e limpar a cozinha?

Oh gente, juízo!