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Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

30
Out15

Coisas minhas, constatações, dúvidas e tal

ana

Fui à vila almoçar com a minha tia. Depois, fui beber café à esplanada do costume. Estavam lá uns putos a jogar às cartas e s dona do café disse-lhes que se aparecesse a polícia não tinha nada a ver com aquilo, que legalmente não se pode e bla bla bla. 

Aqui na aldeia, os putos vão para o cafe beber minis e fumar ganzas à porta do estabelecimento. 

Um bando de miúdos a jogar às cartas é um perigo, um drama legal. 

Passado um bocado, foram embora. 

Apareceu um gajo que foi da minha turma na escola primária. Diz que agora é modelo, que trabalha numas bombas de gasolina, que é promotor e que hoje foi apanhar azeitona. É esta a glamorosa vida de um modelo da província. 

Achei piada. Continua o mesmo cromo a quem chamávamos de "poia" na escola. Éramos uns bullies do piorio!

Foi-se embora a correr.

Apareceu um casal jovem e a miúda passou o tempo a fazer vídeos para o snap. Ainda hoje não percebi a piada daquilo, apesar de também ter lá um perfil.

Sou mais pelo instagram. Por falar nisso, vocês conseguem ver o link que aparece aqui no blog e vos dá acesso ao meu instagram? Isto já não é tão anónimo como antes. 

Vim para casa. Ainda tenho de ir trabalhar, mas só mais tarde. 

Estou a pensar se durmo a sesta ou não. O programa das noivas no TLC já me cansa e hoje não estou com paciência para o João Baião e para aquela apresentadora, que dizem ser muito bonita [mas eu não vejo onde] e que me mexe muito com os nervos. 

Enfim, um dia normal. Daqui a dois dias faço anos e a minha vida resume-se a isto. 

25 anos, gente. Um quarto de século e ainda não fiz nada de produtivo.

 

30
Out15

Objectivo: vender

ana

Não gosto que me digam que não "sirvo" ou não sou boa em determinada coisa. 

Eu conheço as minhas limitações e sei o que consigo, ou não, fazer.

Umas, faço-as sem esforço, naturalmente. Outras, sei que tenho de trabalhar, treinar, investir e aprender. 

Há uns dias, a chefe da empresa onde trabalho disse-me que eu era muito tímida para aquele trabalho. Não é verdade. Estava nervosa, constrangida e ela entrou a "matar". 

Posso não ter um talento natural para vendas, mas sei que consigo aprender. Não gosto que desvalorizem o meu esforço, que me subestimem. 

Tenho tentado melhorar, fui ver vídeos ao YouTube, li artigos, li sobre marketing, sobre atendimento. 

Se querem que venda, eu vendo! Mas conto com quem sabe para me ensinar. É muito fácil chegar, observar cinco minutos e dizer " tu não tens jeito para isto ". Lúdico seria explicar o que está mal, incentivar a melhorar, dar dicas, formar. Mas essa é a parte chata, a que dá trabalho. 

Não tenciono trabalhar ali para sempre, aliás o meu contrato pode nem ser renovado daqui a uns tempos mas, o que faço, gosto de fazer bem. Se não me ensinam, aprendo eu. Nem que seja apenas para mostrar a quem me disse " não serves para isto ", que eu sirvo para aquilo que eu quiser. Só para provar que consigo! 

[Está cegueira por vendas e números, objectivos, dinheiro, é uma coisa que me tira do sério. Querem tudo isto, mas com o esforço dos outros. Outros a quem não dão formação nem sequer uma palavrinha de incentivo. Tristeza de gente!]

 

29
Out15

Coisas minhas, constatações, dúvidas e tal

ana

Juro que não percebo isto das leituras do sapo. Eu "gosto" de um blog, ou será do perfil?, e este aparece-me na lista de leituras.

De vez em quando, lá me aparecem uns novos, que nunca vi na vida. Agora, é o clube dos gatos. 

Ya, eu tenho um gato, mas não sou maluquinha dos gatos. Sou maluquinha do meu gato, apenas. 

Sim, ele é o "amorzinho da mamã", o "gato mais bonito da aldeia", o "meu pudinzinho amarelo", "Quem é lindo, quem é? És tu meu boneco felpudo, meu amor de quatro patas, meu marsupial fofinho!".

Sim, ele é o meu gatinho e eu faço um milhão de figuras tristes com ele, no entanto, não tenho particular interesse em seguir o clube dos gatos. Quero lá saber dos gatos dos outros. Ou se estão a fazer xixi de forma correcta. Não me interessa! Sou a insensível que ignora todos os vídeos de peripécias felinas no facebook (excepto quando a Rita me "obriga" a ver), o meu gato rebola quando eu digo, querem melhor do que isto, gente? 

Querem a verdade? Eu não sou particularmente fã de animais. Gosto dos meus e um bocadinho da gata da Rita. Os outros, passam-me ao lado. São giros, principalmente quando são bebés, mas pronto, não me dizem muito. 

Não lhes faço mal, desvio o carro quando se atravessam à minha frente, até os alimento se vir que estão cheios de fome, mas não choro com vídeos de cães só com três pernas, nem dou comida em peditórios nos supermercados e, muito menos, tenho vontade de abraçar e trazer para casa todo e qualquer bicho. 

Podem dizer, sou uma insensível! Uma gaja parva, sem capacidade para amar patudinhos. 

Gosto dos meus! Trato bem todos. 

Perdoem-me, mas o meu lado "animal" não se desenvolveu completamente.

25
Out15

Dramas da vida na aldeia

ana

As beatas falsas

 

Saem de casa, ao domingo de manhã, com as suas melhores roupas. Vão à missa. Olham de esguelha para as outras. Topam a roupa, a postura e a companhia que levam, entre o pai nosso e a comunhão. 

À saída da missa, reúnem-se numa roda. Dissecam os acontecimentos da semana, lançam umas farpas, actualizam-se das últimas novidades. 

Dizem-se santas, confessam-se muito. Fazem o mal às escondidas, atiram pedras a quem faz o mesmo às claras. 

A vida dos outros dá-lhes tanto alento como uma óstia. Cochicham, inventam. Ficam muito ofendidas quando a vida delas vem à baila. 

Benzem-se muito. Dão lustre ao senhor prior, apesar de não gostarem dele. 

Algumas, fumam ganzas às escondidas. Outras, têm amantes. Têm filhos e netos que passam a vida no café, esses anjinhos. 

Ai Jesus, filha de fulano é lésbica! Aí credo, filho de sicrano namora um preto! Deus me livre, a minha neta engravidar antes de casar! 

Batem no peito, vão à igreja arranjar as flores. Entre elas lutam para ser a melhor beata. A que mais sabe (de tudo), a mais influente. 

Vivem de aparências. 

São mesquinhas, pouco solidárias, interesseiras. 

São desprezíveis, mas picam o ponto na igreja todos os domingos! Deus nosso senhor perdoa-lhe os deslizes. 

Ámen!

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