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Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

26
Nov15

Coisas parvas, teorias do além e cenas do mal

ana

Vou acordar cedo e estou aqui às voltas até o sono chegar. O despertador vai tocar e vou arrepender-me muito de não ter dormido mais. Vou dizer muitas asneiras. Vou revoltar-me imenso. Acho super injusto uma pessoa ter de acordar cedo. 

Depois, vou estar na loja sem fazer nada, as manhãs são uma seca. E vou maldizer tudo e todos. E sorrir para os poucos clientes, enquanto penso que estou a morrer de fome e só vou almoçar às três! 

E, quando for a minha hora de sair, vou ter a loja cheia de gente. Vou sair mais tarde e ficar muito lixada com isso. E vou odiar pessoas. E vai apetecer-me ir às compras, para afogar as mágoas e a frustração. Mas não vou comprar nada porque estou falida, muito falida. E volto para casa. 

Vou tentar ir ao ginásio, mas tenho dúvidas de que desça em mim uma vontade enorme de ir. E vou continuar a pensar em comer um eclair, um desejo que trago há semanas. E vou deixar-me ser mega lontra e cagar no ginásio. 

Caraças, estou mesmo a imaginar um dia excelente. Se for melhor do que isto, dou saltos de alegria. Ando numa de ter as expectativasa cá em baixo. Qualquer coisinha boa me faz ficar mais feliz! Sou muita esperta. 

 

23
Nov15

Coisas minhas, constatações, dúvidas e tal

ana

Vim até à cidade passear, antes de ir trabalhar. 

Não conheço muito desta cidade. Aliás, conheço-a mas não a vivo, nunca criei grandes laços com ela.

Admito o meu preconceito. Uma cidadezita de província. Pequena. Pouco entusiasmante.

Talvez ofrio, hoje, me tenha feito achá-la mais bonita. 

Vim para a praça sentar-me a beber um chá. Já existem por cá aqueles copos de papel, estilo Starbucks. Mesmo aqui ao lado está uma Nut, a primeira do país. Existem donuts coloridos, gelados de iogurte, e lojas de tatuagens e piercings. 

Por está hora, é uma cidade jovem. Miúdos das escolas e malta que estuda no politécnico. 

TEm a calma que as cidades calmas não têm. O tempo move-se devagar. As pessoas não correm. Respira-se melhor. 

Olhando em meu redor, não vejo a praga de turistas e chineses de máquina fotográfica em punho. Gosto disto. 

No próximo fim de semana abre uma pista de gelo no mercado velho. Já se preparam as animações de Natal. 

A senhora das castanhas está no sitio do costume e isso dá-me um certo conforto. É a mesma desde que me lembro. 

Pensando bem, isto aqui na província não é assim tão mau. 

Vou abrir o meu coração a esta cidade. Sou capaz de ser feliz aqui!

 

14
Nov15

Voltei só para isto

ana

Só para dizer que estou incrédula. Incrédula com aquilo que aconteceu em Paris e incrédula com a falta de inteligência de alguns portugueses. 

Sempre que me ponho a ler comentários a notícias no facebook, já sei que me vou chatear.

Foda-se, mas alguém acredita mesmo que a culpa dos atentados seja dos refugiados?! Está tudo doido?

Vocês acham mesmo que o estado islâmico enviou os seus terroristas numa jangada para Paris? Oh gente, eles vivem lá e, surpreendam-se, são franceses! Nasceram lá, cresceram lá! E é aí que reside parte do problema. 

E mais, faz-me muita confusão, que num país de emigrantes, se escrevam as barbaridades que li. Ou já ninguém se lembra da vaga de emigração das décadas de 60/70? Chamavam-lhe outra coisa, mas não eram mais do que refugiados, a fugir da pobreza, da miséria! Se eram todos bons, os que fugiram para França? Não, claro. Há gente reles em todo o lado! Tal como acontece com estes da síria. São pessoas que vêm a fugir dos mesmo filhos da puta que ontem mataram mais de 150 pessoas em Paris! 

Juro, eu sou pela liberdade de expressão, mas há gente que devia estar calada! 

Esta gente que só papa novelas e reality shows, que se deixa levar pelos media sensacionalistas, gente que tem o cérebro mais parado do que o trânsito na 2°circular. Opa, pensem por vós, não estejam espera que seja um comentador da tv a dizer o que devem achar. Criem uma opinião informada, lógica, sustentada. Parem de disparar idiotices nos comentários do facebook! 

E não, não é só neste caso em particular. É em tudo. Cansa ler tanta estupidez. Cansa-me tanta burrice. O mundo não é preto e branco, há mil e uma cores para além dessas. Usem o cérebro, pensem! Gente preguiçosa, que nem uma opinião própria e fundamentada consegue criar. Gente que quando não concorda só sabe atacar e insultar!

Este mundo/país está perdido! 

E não, eu não sou um caso raro e superior a todos os outros mas, caralho, orgulho-me de pensar, de defender causas e opiniões com lógica, de aceitar opiniões alheias, de não me deixar levar por tudo o que leio no correio da manhã! 

E mais, quando não sei o que dizer, calo-me!

 

12
Nov15

Até já, sim?

ana

Não sei nada o que aqui escrever. Esta blogosfera, por vezes, cansa-me. É tudo igual, tudo a falar do mesmo e os de sempre cheios de publicidade, e os anónimos maus, e os que vão montar o circo para o blog alheio, e os batons da labello e o diabo a sete. Ah, os meus nervos não são de aço e isto tudo mexe muito com eles. 

Sao os blogs de comida, cheios de pequenos almoços e paneleirices finas, foda-se estou farta de ver abacates e papas de aveia. São as das roupas, todas iguais, a ir aos mesmos eventos, a querem a mesma mala. São as dos filhos, pobres crianças que só servem para modelo fotográfico. São as do contra, que passam a vida a criticar os blogs das outras e, depois, são as outras que só escrevem merda e estão mesmo ali à mão para serem gozadas. E os casais misteriosos, que desde que ouvi na rádio perderam todo o encanto. E a das frases, mantras, lemas ou lá o que é. E a maçã dos sapatos que é parva que doi. E as dos "diários de bordo" (tipo eu) que só escrevem banalidades e coisas que não interessam a ninguém.

Ai pessoas, estou cansada. Vou esperar que me volte a vontade, que as vossas banalidades me façam sentido, que as do costume me deixem de esfrangalhar os nervos. Vou-me entretendo com o instagram, se bem que, se vejo mais fotos de abacates e new balances, sou capaz de ter um ataque! 

 

08
Nov15

Quero isto nos destaques do sapo!

ana

Durante nove anos, vivi um segredo. Um segredo que ia crescendo e ganhando peso com o passar dos tempos. Uma omissão de uma parte de mim, de um pedaço que também sou. 

Tudo começou pelo medo. Era nova, inconsciente, mas com a plena consciência de que não iria ser levada a sério. E este assunto era sério! 

Deixei arrastar. O segredo foi ganhando forma, a teia de mentiras era enorme, o medo crescia, a responsabilidade também. Eu tinha criado um monstro. Um mostro que não me largava, que me assombrava, que me tirava a fome, que me deixava insegura, que me engolia. Vivia com uma bola no estômago, com a garganta tapada, com o mundo sobre os ombros.

Conseguem imaginar viver nove anos assim? Com sentimentos de culpa, revolta, com raiva de vós próprios por terem alimentado tamanho segredo. Conseguem imaginar-vos a esconder o amor que sentem por alguém, durante nove anos? 

Talvez não, felizmente. Mas esta é a realidade de muitos homossexuais (e não só, mas agora são estes que me importam). 

Esta foi a minha realidade. Vivi uma década da minha vida com medo. Medo de deixar de ser amada pela família. Medo de ser rejeitada. Medo de ter de escolher entre os meus pais e a mulher que amava. 

Vão-me dizer que era um exagero. Que correu tudo bem, que não tinha com que me preocupar. Talvez, afinal tudo se resolveu pelo melhor. Mas quantas vezes ouvi, da boca dos meus pais, opiniões homofóbicas, quantas vezes senti que a minha realidade os iria desiludir? Não é fácil, minha gente. 

Vivi nove anos assim, às escondidas. E, também, foi isso que me fez ir ao fundo. Era um peso demasiado grande para mim. Era uma incerteza que me consumia, que me roubava a alegria, que me encurtava a esperança. 

Hoje, por ter estado com alguém que está a passar pelo mesmo [somos tantos!!], revivi tudo isto outra vez. E voltei a sentir a garganta tapada, o estômago as voltas, um aperto cá dentro. Nunca ninguém deveria passar por esta situação de merda. Nunca ninguém deveria sentir necessidade de esconder o seu amor. Nunca a orientação sexual de alguém deveria ser um problema! 

Juro, se me dessem a oportunidade de mudar uma coisa no mundo, seria isto. 

Para muitos é nada, há gente a morrer à fome. Para mim é tudo. É a dignidade de uma pessoa, é a liberdade, é a felicidade que estão em causa. É o ter medo de ser aquilo que se é. É o ter medo de deixar de ser amado por se ser aquilo que se é! Caralho, se isto não é nada... Se não é nada, então eu ando com a cabeça toda trocada. 

Nove anos a viver em segredo é muito. Há quem viva uma vida inteira. 

Tudo por causa de um pormenor tão absurdo e insignificante como a orientação sexual. Tudo por causa da intolerância e preconceito de terceiros. Tudo por ignorância, por falta de amor! Um pai que põe um filho fora de casa porque é gay (sim, ainda acontece!)! O que é isto? Não é nada? Foda-se, é tudo! 

Demorei muito tempo para perceber qual era a "minha causa". Hoje, tive a certeza. É esta! Não consigo conceber um mundo assim!

 

 

05
Nov15

Coisas parvas, teorias do além e cenas do mal

ana

Eu gostava de ser o tipo de gaja que acorda cedo, faz umas papas de aveia para o pequeno almoço, ou umas panquecas saudáveis e um sumo natural, que se veste para ir ao ginásio e ao meio-dia já está bem casa a preparar o seu super almoço. 

Mas não. Eu sou a gaja que põe o despertador para as dez e acha demasiado cedo, porque está bde folga e precisa é de dormir. Sou a gaja que ainda está na cama, sem tomar o pequeno-almoco, que provavelmente será substituído pelo almoço e que ainda não sabe bem se vai ter coragem de ir ao ginásio durante ba tarde!

Eu sou esta lontra preguiçosa, que prefere estar uma manhã na ronha. Que ainda não sabe como vai conseguir sair da cama, que tem cola, que a puxa, que a agarra. 

Caralho, eu não nasci para acordar cedo, muito menos para manhãs produtivas. Dizem que quem acorda cedo é mais inteligente. Cá para mim, não há maior falta de inteligência do que abandonar o quentinho da cama as sete da manhã!

 

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