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Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

31
Dez15

Adeuzinho, 2015

ana

É que nem me vou dar ao trabalho de fazer retrospectivas, eleger o melhor e o pior, chatear-vos com considerações de merda e frases batidas, tipo aquilo do copo meio cheio, ou de guardar apenas os melhores momentos, blá blá blá. 

O meu ano foi uma filha da putice enorme. Uma valente cagada! Se teve coisas boas? É lógico que sim. Mas as más também não lhes ficaram atrás. 

Ah, e os meus desejos para o próximo ano resumem-se a pouco:

Que 2016 não seja pior que 2015 (cruzes, credo!!), que a minha miúda continue a nutrir amor por mim e não lhe falte a paciência para me aturar e que os únicos comprimidos que tenha de tomar sejam trifenes 200. De resto, logo se vê. 

Quero paz. Para mim e para vocês. 

E coisas boas. Muitas coisas boas para todos. 

 

Bom ano, pessoas lindas! 

 

29
Dez15

Coisas minhas, constatações, dúvidas e tal

ana

Continuam a chamar piropo a uma coisa que não é nada disso. "Lambe-me a cona" ou "és tão boa que te fodia toda" não são piropos, são frases absolutamente nojentas e de cariz indiscutivelmente sexual. Incomodam, podem assustar, são violentas. 

Pode haver quem não se importe com isso, mas também há quem se sinta incomodado. E esses, os que se sentem incomodados, têm todo o direito de poder agir legalmente contra esse tipo de abuso. Eu faço parte desses. Não gosto. Acho obsceno. 

Nem sequer vou entrar pela parte da "mulher objecto" e da sociedade absolutamente machista em que vivemos. Não me apetece discutir isso outra vez. 

(E não, não estou a dizer que o "piropo" se dirige apenas a mulheres, mas é um facto que são as principais vítimas)

 

24
Dez15

O freguês tem sempre razão - especial Natal

ana

O cliente do natal é nervoso. Transpira, faz contas à vida, remexe, inquieta-se.

O cliente do natal sabe que a efeméride se comemora todos os anos no dia 25 e insiste em comprar os 359 presentes da sua lista na véspera. 

Chega cheio de ideias, mas quando vê as filas e a confusão na loja, já serve qualquer coisa. Não importa se a sobrinha não tem as orelhas furadas, levam-se uns brinquinhos, que estão mesmo ali à mão. 

O cliente do natal bufa nas filas. Revira os olhos. Responde-nos mal. A culpa de estar ali enfiado, a suar como um porco, é sempre da menina da caixa, essa espécie lenta e sem neurónios.

É um cliente exigente. Quer embrulhos, talões sem preço, laços e purpurinas. Quer tudo isto em dez segundos. Quer muita atenções, atendimento personalizado, exclusividade. Ele é só mais um entre dezenas, mas não se conforma com isso. 

O cliente de Natal pode dividir-se em dois:

O que se está a cagar e o outro. 

O que se está a cagar, compra porque as regras assim o mandam. Oferece uma treta qualquer, não quer saber, não quer embrulho, nem coisa nenhuma. Quer um presente para não parecer mal. Quer porque tem ser ser. Oferece porque esta época consumista o obriga a isso. Às vezes é simpático, deseja "boas festas" e não se importa de esperar na fila. Outras vezes, parece o condenado que vai para a forca, tal é o frete que está a fazer. Odeia tudo, odeia todos, em especial a menina da loja. 

O outro, é o tipo de cliente que vai munido de lista e muita vontade de comprar o presente ideal. O único erro foi tê-lo deixado para fazer à última da hora. Ele pergunta, ele remexe, ele faz virar o armazém de pantanas à procura de um fio que viu na montra o mês passado. Ele quer mesmo aqueles brincos para a tia Antónia, não podem ser outros. Ele quer e quer com a força toda. E cada não que ouve é uma facada no coração. Sai da loja indignado, não encontrou nada do que procurava. 

 O cliente de Natal leva a menina da loja ao desespero, fa-la dizer impropérios que enchem de vergonha o Pai Natal, faz com que se formem ideias muito feias na sua cabecinha.

O cliente do Natal saí sempre da loja com um "obrigada e boas festas", acompanhado pelo maior sorriso do mundo. A menina da loja, por vezes, a única coisa que recebe em troca é o talão para pôr no lixo! 

 

22
Dez15

Resumindo

ana

Aprendi muito sobre mim este ano. 

Comecei o ano cheia de esperança, motivada, cheia de certezas. Levei um estalo de realidade e caí para o lado.

Perdi tudo! A esperança, os sonhos, o amor próprio, a vontade de continuar. 

Este ano, desejei morrer. Odiei-me. Senti-me inútil, um peso, uma merda. Chorei muito, fiquei sem lágrimas e, mesmo que as tivesse, a dor que sentia era tão grande que era impossível expressá-la com choro. A dor era tal, que eu já não sentia. Respirava, apenas. Não via, não saboreava, não falava, não pensava, não reagia...

Era um corpo morto. Vazio. 

Aliás, vazio é uma das palavras que descreve este 2015. 

Felizmente, a coisa deu uma volta. 

E eu fui uma mulher do caralho! Aguentei-me, reinventei-me, reorganizei-me. Com ajuda, obviamente. 

O vazio deu lugar a muita coisa. 

Sai do armário, arranjei trabalho, conheci pessoas, voltei a apaixonar-me pela vida. Voltei a sonhar.

Ganhei calo. Abrandei. Apercebi-me das minhas fraquezas, dos meus limites.

Mudei. De perspectiva, de objectivos, de direção. Mantive o que é realmente importante e agarrei ainda com mais força.

Clichê dos clichês, percebi que a felicidade está mesmo em pequenas coisas. E, ainda mais clichê, que amamos muito mais os outros, quando nos amamos a nós próprios também.

Foi preciso ir ao fundo para perceber esta porcaria. Enfim!

 

 

 

 

 

19
Dez15

Porque este espaço sempre se pautou pela sinceridade, cá vai...

ana

Este blog é o meu diário e vai continuar a ser. 

Este blog era segredo e agora já não é. 

Não estou satisfeita com isso, admito. 

O motivo: o apego emocional que tenho a isto. A mania de encarar este espaço como o meu refúgio. O canto onde me escondo de quem me conhece. Onde sou eu sem filtros, sem nada, despida. Onde a amizade não é influência, onde quem me conhece não tem uma palavra a dizer. 

Não quero sentir-me limitada, presa, pensar duas vezes antes de escrever alguma coisa. 

Aqui escrevo sobre tudo. Bem e mal! O que me apetece. Aqui expulso demónios, frustrações, inquietações, parvoíces, banalidades.

Para muitos é quase nada. Para mim é muito. É parte de mim. 

É uma cura como outra qualquer. É o meu anti depressivo, a minha aula de yoga, a minha novela da noite. 

Aqui sou a Filipa e não a Ana. Sou mais corajosa, mais sincera, mais ácida. Aqui, não há indirectas, tudo o que escrevo é directo, não passa pelo crivo do socialmente aceite, do politicamente correcto.

Aqui falo de quem eu quero e não espero que os visados se importem com isso. O espaço é meu e quem decide sou eu. 

Chamo nomes aos meus amigos, insulto-os, julgo-os. Também os elogio, se me apetecer. Crítico situações reais, acontecimentos mais ou menos importantes, exponho momentos e conto histórias. Não minto, não digo que sim só para ficar bem, não finjo o que sinto.

Isto é o meu lado mais sincero, mais puro. Algo que complementa tudo aquilo que sou no dia a dia, aos olhos de quem me conhece. Isto não sou menos (nem mais) eu, sou eu por inteiro. 

Este blog não era, nem nunca será, tema de mesa se café, assunto para falar com os amigos. O que aqui está é para uso exclusivo do estabelecimento. O que aqui se lê é para ser mantido aqui. O que aqui está escrito não é discutível fora daqui. Não justifico nada do que aqui se diz. 

Se algum dia a carapuça vos servir, usem-na. Mas não venham pedir explicações e lamuriar-se. É a vida. Estão cá porque entraram sem a minha autorização, não têm direito à indignação. 

E habituem-se. As regras são estas. Só entram no jogo se quiserem.

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