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Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

Um quarto para duas

Um blog, duas raparigas, um amor.

22
Mar16

Levem que é de graça

ana

Sou exageradamente viciada em batons hidratantes, ou batons do cieiro, se preferirem. 

Ando sempre à procura do melhor. A verdade é que tenho uns lábios difíceis, sempre secos e cheios de peles ridículas. No inverno então a coisa torna-se crítica.

Já experinentei de tudo. Sempre que ouço ou leio algo sobre um baton novo e milagroso, vou a correr comprar. 

Por estes lábios já passaram, e passam, os labelos que, por acaso, são uma valente cagada, carmex, eos, burts bee, Neutrogena e outras cenas XPTO comprados em farmácias e afins. 

Uns cumprem o que prometem, outros nem por isso. 

Nestes últimos dias, fiquei doente. Mas assim muito doente, como já não ficava há anos. A rinite veio e instalou-se, tive febre, tive suores frios, tosse e, claro, muito ranho. 

Gastei resmas de papel a assoar-me, até ficar com o nariz assado. 

O meu nariz estava (ainda está) gretado, os meus lábios também e eu já estava a desesperar. 

Fui à farmácia e comprei o único baton que me faltava comprar, o nuxe revê de miel. 

Ouvi maravilhas sobre ele, achei que só ele me podia safar desta crise de secura. 

Larguei dez euros, coisa que muito me custou, mas estava desesperada. Comprei o de Boião, porque dizem que esse é que é bom, apesar de eu odiar andar a mexer com os dedos em batons. 

Posso dizer-vos que a porcaria do baton, ou bálsamo, resulta mesmo. 

No nariz fez mesmo milagres. Aliás, é a única coisa que me alivia. 

Tem um sabor a citrinos misturado com mel que não me agrada muito, mas consigo ultrapassar isso. 

Por isso, fica a dica. Se precisarem de uma cena potente, este é o baton certo. Dá para os lábios e para o nariz e, Desconfio, é bem capaz de desenrascar nas cutículas à volta das unhas. É um multifunções. E ainda bem, porque pelo preço até devia dar para corrigir olheiras!

 

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21
Mar16

Coisas minhas, constatações, dúvidas e tal

ana

Sabem, vou despedir-me. 

Não preciso do meu trabalho para comer, felizmente. Preciso dele para me sentir bem, para manter a cabeça ocupada e a minha sanidade mental. 

Mas não me sujeito mais aos humores da gerente. Que seja parva sozinha. Que a aturem as que lhe dão graxa. 

Um dia disse-me "Não gosto de meninas universitárias porque são demasiado espertas e eu não gosto de trabalhar com meninas espertas!". 

Pois, eu não gosto de trabalhar com gente estúpida porque odeio estupidez!

 

15
Mar16

💙

ana

Daqui a umas semanas, fazemos dez anos de namoro. 

Dez anos! Esta coisa do tempo "passar a correr" é mesmo verdade. 

Parece que foi ontem que conheci esta miúda com quem tenho partilhado os dias. 

Ontem, estava na cama, a Rita dormia ao meu lado e eu pensava que isto do amor é mesmo uma coisa extraordinária. 

Quando tudo começou, no meio de toda a loucura da paixão, da adrenalina da descoberta, da intensidade dos sentimentos, estava longe de imaginar um amor assim. 

Digo-vos, não há melhor do que este estado de enamoramento e preenchimento completo. A paixão assolapada deu lugar a uma tranquilidade e segurança maravilhosas. Um amar fácil, tão bom. Um não ter dúvidas em relação ao futuro, é com ela que quero estar. Esta amizade e cumplicidade que nos une sabe-me tão bem. 

Desejo sempre mais. Mais dias, mais anos, mais tempo com ela. 

Ouçam o que vos digo, o amor é mesmo uma cena do caralho  caraças!

 

11
Mar16

Clientes daqueles que me deixam mesmo muito lixada

ana

Aturo todo o tipo de cliente. 

Do mais chato, ao mais indeciso. Do mal educado, ao arrogante. 

Não gosto deles, mas aturo-os!

Agora, aqueles clientes que me entram na loja as 22:59h quando a loja fecha as 23h, ai esses... Puta que os pariu!

Tenho-lhes um ódio!

Não há nada que me deixe mais lixada, fodida mesmo.

09
Mar16

É com cada maluco

ana

Ouço cada merda no meu local de trabalho que, as vezes, nem sei bem o que dizer. 

Hoje entrou lá um homem, fui ter com ele para ver se precisava de ajuda e, depois de uma conversa qualquer sobre o diabo e o mal (nem percebi bem, sinceramente) disse-me: 

"Ontem, como sabe, foi o dia da mulher. Eu não gosto de mulheres feministas, as mulheres têm apenas de ser femininas!"

Fiquei a olhar para ele. Não consegui dizer nada. 

Aliás, acho que ainda não consigo! 

 

07
Mar16

Karma

ana

Tenho uma vendedora da bimby a ligar-me, todos os dias, para agendar uma puta de uma "demo" em minha casa. 

Digo-lhe que não, que não da, que os horários não são compatíveis. Ela insiste. 

É o karma. Fodi-lhe a cabeça num dia que foi lá à loja. Vendi-lhe o que ela queria e o que não queria, superei o meu objectivo diário e em troca aceitei a porcaria do cartão e dei-lhe o número de telemóvel lá para a merda da bimba. 

Não tenho uma ponta de interesse naquela porcaria. Eu ainda cozinho à moda antiga e estou satisfeita com isso. Vejam lá bem que até acho relaxante mexer o refogado para não se queimar. 

Quero lá saber se aquilo faz bechamel em dez minutos, eu costumo comprá-lo feito, num pacote. 

Vou gravar o número dela como "chata da bimby" para não voltar a atender. 

Meto-me em casa uma, gente. 

 

07
Mar16

Coisas minhas, constatações, dúvidas e tal

ana

Estou a ler  "O Sexo Inútil ", de Ana Zanatti.

Há histórias do caralho, gente. 

Apesar da viagem pela descoberta e aceitação da minha homossexualidade não ter sido fácil ou perfeita, há gente que passou pelo dobro.

É "engraçado" ver o que senti tantas vezes descrito por outras pessoas. Os medos, as inseguranças, os pequenos passos e conquistas, o caminho para a aceitação. 

É um percurso longo e doloroso, por vezes. 

Lembro-me da primeira vez que me assumi como homossexual aos meus amigos. Foi uma sensação do caraças. Mas também me lembro que só alguns anos depois, já na faculdade, decidi não voltar a esconder de ninguém a minha orientação sexual (só dos meus país). 

Hoje, felizmente, sou completamente aberta em relação a isso. Não hesitei a assumir-me no trabalho. Toda a gente sabe, seria incapaz de o esconder. Aliás, sei que não o voltarei a fazer. 

Falo da minha namorada, como as minhas colegas falam dos seus namorados e maridos. Estou-me a cagar se estou a ferir susceptíbilidades, se estou a "chocar" alguém. A verdade é que a minha descontração em relação ao assunto se expande para as minhas colegas, que não me parecem minimamente incomodadas. 

Se quero ser tratada com normalidade, tenho de agir com naturalidade, sem embaraço ou vergonha. 

Acreditem, demorei muito até chegar aqui. Lutei muito contra mim própria, chorei muito, odiei-me, recriminei-me.  

Mas, no dia em que me aceitei, tive a certeza que a não aceitação dos outros podia acontecer, mas jamais me iria derrubar. 

Demorei quase dez anos a contar aos meus pais, mas sempre soube que se o fizesse e não fosse aceite, para mim eles deixavam de ser importantes, deixariam de ter uma parte activa na minha vida. 

Tive a sorte de não ter reacções negativas, apesar de não tocarmos muito no assunto. É tudo recente e eu dou-lhes o tempo que precisarem para digerir. Não me escondo mais e eles sabem disso. Assumi-me. E isso é uma decisão definitiva. 

Gostava muito de viver num mundo em que todos os homossexuais tivessem a mesma "sorte" que tive. 

Infelizmente, sei de histórias de gente que teve de fugir de casa, de mães que não falam com os filhos, de gente que vive isolada de tudo e todos por ser gay. Sei de gente que nem aos amigos é capaz de se assumir, que sofreu com bocas e gozo dos colegas. 

Nunca passei por nada disso. Apesar das minhas inseguranças, nunca deixei que a opinião dos outros me afectasse demasiado. Lembro-me de me chamarem fufa na escola e não ligar. 

Sim era [sou] fufa, não tenho de me incomodar com isso. É uma questão de palavras. Gay, fufa, lésbica, Paneleiro. Convivo bem com tudo isso. Ficaria dez vezes mais triste se me chamassem desleal ou hipócrita. 

Prezo muito a minha liberdade. De ser, de amar, de ter, de pensar, de viver, de sonhar, de falar, de sentir... 

Demorei muito tempo para me libertar completamente, mas hoje, aquilo de que mais me orgulho, é de andar de cabeça erguida, como lésbica, como mulher, como ser humano, sem vergonha, sem achar que sou diferente dos demais e sem precisar de me esconder ou omitir aquilo que sou.

 

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